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domingo, 19 de dezembro de 2010

SIM à Vida ou As Pontes que se fazem entre!!



Como se escreve sobre o que não é consciente??


Senti o cheiro verde do colo, a batida do coração saindo do peito
O afago, a entrega, a coragem
Carinhos sem pena
Dedos, pés, costas, cabelos
O fora é tão profundo...


Tremer... "deixa sair, Claudia"... "não segura"...


Bicho com boca que afaga...Fernando...
Criança com olho que toca...Angela...
Nômade com peito que chora..Samara...
Bicho com dedo que vê...Camila..Paulo...
Criança com mãos que riem...Daniel...
Criança com costa que brinca...Simone...
Bicho com braço que fala...Bernardino...


Bichos...crianças...nômades...todas...intensas...
Construindo forças ativas, fortes, libertadas...


"Levanta a cabeça"..."Olha nos meus olhos"... "Agora você tem uma saia"

Ê Ana! Ê Bethânia!
Que importa se tocam de homens e mulheres, de mulheres e mulheres, de homens e homens?
Saudo a coragem de ser quem se é!


Masculino... feminino... homem... mulher... hetero...homo...
Querer feminilidade! Querer masculinidade!



E se alguém duvidar que o tempo não é cronológico, respondo:
Ontem vivi o sábado da comunhão! Imanescência...
Longos e profundos breves minutos de se ser cuidado e se deixar cuidar!
Longos e profundos breves minutos em que se nasce a mesma e outras!



Desejar amar e ser amada pelas crianças-bichos-nômades de Uberaba!
 Abrir mão da covardia!!


 


 

O Poeta Está Vivo - Frejat




Baby, compra o jornal

e vem ver o sol

Ele continua a brilhar,

apesar de tanta barbaridade

Baby escuta o galo cantar,

a aurora de nossos tempos

Não é hora de chorar,

amanheceu o pensamento

O poeta está vivo, com seus moinhos de vento

A impulsionar a grande roda da história

Mas quem tem coragem de ouvir

Amanheceu o pensamento

Que vai mudar o mundo

Com seus moinhos de ventos

Se você não pode ser forte,

seja pelo menos humana

Quando o papa e seu rebanho chegar,

não tenha pena

Todo mundo é parecido, quando sente dor

Mas nu e só ao meio dia, só quem está pronto pro amor

O poeta não morreu,

foi ao inferno e voltou

Conheceu os jardins do Éden

e nos contou

Mas quem tem coragem de ouvir

Amanheceu o pensamento

Que vai mudar o mundo

Com seus moinhos de ventos

Mas quem tem coragem de ouvir

Amanheceu o pensamento

Primavera Nos Dentes - Secos & Molhados




Quem tem consciência pra se ter coragem

Quem tem a força de saber que existe

E no centro da própria engrenagem

Inventa a contra mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado

Quem já perdido nunca desespera

E envolto em tempestade decepado

Entre os dentes segura a primavera


Composição: João Ricardo/João Apolinário

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O ABECEDÁRIO DE GILLES DELEUZE

D de DESEJO




 CP: D de Desejo. Tudo o que sempre quiseram saber sobre o desejo. Primeira lição: Só se pode desejar em um conjunto. Então, sempre se deseja um todo. Vamos passar a D. Para D, preciso de meus papéis, pois vou ler o que há no Petit Larousse Illustré, em "Deleuze", que também se escreve com D. Lê-se: "Deleuze, Gilles, filósofo francês, nascido em Paris, em 1925".

GD: Talvez hoje esteja no Larousse.

CP: Hoje, estamos em 1988.

GD: Eles mudam todo ano.

CP: "Com Félix Guattari, ele mostra a importância do desejo e seu aspecto revolucionário frente a toda instituição, até mesmo psicanalítica". E indicam a obra que demonstra tudo isso: O anti-Édipo, em 1972. Como você é, aos olhos de todos, o filósofo do desejo, eu gostaria que falássemos do desejo. O que era o desejo? Vamos colocar a questão do modo mais simples: quando O anti-Édipo...

GD: Não era o que se pensou, em todo caso. Estou certo disso, mesmo naquele momento, ou seja, as pessoas mais encantadoras que eram... foi uma grande ambigüidade, um grande mal-entendido, um pequeno mal-entendido. Queríamos dizer uma coisa bem simples. Tínhamos uma grande ambição, a saber, que até esse livro, quando se faz um livro é porque se pretende dizer algo novo. Achávamos que as pessoas antes de nós não tinham entendido bem o que era o desejo, ou seja, fazíamos nossa tarefa de filósofo, pretendíamos propor um novo conceito de desejo. As pessoas, quando não fazem filosofia, não devem crer que é um conceito muito abstrato, ao contrário, ele remete a coisas bem simples, concretas. Veremos isso. Não há conceito filosófico que não remeta a determinações não filosóficas, é simples, é bem concreto. Queríamos dizer a coisa mais simples do mundo: que até agora vocês falaram abstratamente do desejo, pois extraem um objeto que é, supostamente, objeto de seu desejo. Então podem dizer: desejo uma mulher, desejo partir, viajar, desejo isso e aquilo. E nós dizíamos algo realmente simples: vocês nunca desejam alguém ou algo, desejam sempre um conjunto. Não é complicado. Nossa questão era: qual é a natureza das relações entre elementos para que haja desejo, para que eles se tornem desejáveis? Quero dizer, não desejo uma mulher, tenho vergonha de dizer uma coisa dessas. Proust disse, e é bonito em Proust: não desejo uma mulher, desejo também uma paisagem envolta nessa mulher, paisagem que posso não conhecer, que pressinto e enquanto não tiver desenrolado a paisagem que a envolve, não ficarei contente, ou seja, meu desejo não terminará, ficará insatisfeito. Aqui considero um conjunto com dois termos, mulher, paisagem, mas é algo bem diferente. Quando uma mulher diz: desejo um vestido, desejo tal vestido, tal chemisier, é evidente que não deseja tal vestido em abstrato. Ela o deseja em um contexto de vida dela, que ela vai organizar o desejo em relação não apenas com uma paisagem, mas com pessoas que são suas amigas, ou que não são suas amigas, com sua profissão, etc. Nunca desejo algo sozinho, desejo bem mais, também não desejo um conjunto, desejo em um conjunto. Podemos voltar, são fatos, ao que dizíamos há pouco sobre o álcool, beber. Beber nunca quis dizer: desejo beber e pronto. Quer dizer: ou desejo beber sozinho, trabalhando, ou beber sozinho, repousando, ou ir encontrar os amigos para beber, ir a um certo bar. Não há desejo que não corra para um agenciamento. O desejo sempre foi, para mim, se procuro o termo abstrato que corresponde a desejo, diria: é construtivismo. Desejar é construir um agenciamento, construir um conjunto, conjunto de uma saia, de um raio de sol...

CP: De uma mulher.

GD: De uma rua. É isso. O agenciamento de uma mulher, de uma paisagem.

CP: De uma cor...

GD: De uma cor, é isso um desejo. É construir um agenciamento, construir uma região, é realmente agenciar. O desejo é construtivismo. O anti-Édipo, que tentava...

CP: Espere, eu queria...

GD: Sim?

CP: É por ser um agenciamento, que você precisou, naquele momento, ser dois para escrever por ser em um conjunto, que precisou de Félix, que surgiu em sua vida de escritor?

GD: Félix faria parte do que diremos, talvez, sobre a amizade, sobre a relação da filosofia com algo que concerne à amizade, mas, com certeza, com Félix, fizemos um agenciamento. Há agenciamentos solitários, e há agenciamentos a dois. O que fizemos com Félix foi um agenciamento a dois, onde algo passava entre os dois, ou seja, são fenômenos físicos, é como uma diferença, para que um acontecimento aconteça, é preciso uma diferença de potencial, para que haja uma diferença de potencial precisa-se de dois níveis. Então algo se passa, um raio passa, ou não, um riachinho... É do campo do desejo. Mas um desejo é isso, é construir. Ora, cada um de nós passa seu tempo construindo, cada vez que alguém diz: desejo isso, quer dizer que ele está construindo um agenciamento, nada mais, o desejo não é nada mais.

CP: É um acaso se... porque o desejo é sentido, enfim, existe em um conjunto ou em um agenciamento, que O anti-Édipo, onde você começa a falar do desejo, é o primeiro livro que você escreve com outra pessoa, com Félix Guattari?

GD: Não, você tem razão, era preciso entrar nesse agenciamento novo para nós, escrever a dois, que nós dois não vivíamos da mesma maneira, para que algo acontecesse, ou seja, e esse algo era, finalmente, uma hostilidade, uma reação contra as concepções dominantes do desejo, as concepções psicanalíticas. Era preciso ser dois, foi preciso Félix, vindo da psicanálise, eu me interessando por esses temas, era preciso tudo isso para dizermos que havia lugar para fazer uma concepção construtiva, construtivista do desejo.

CP: Você poderia definir, de modo sucinto, como vê a diferença entre o construtivismo e a interpretação analítica?

GD: Acho que é bem simples. Nossa oposição à psicanálise é múltipla, mas quanto ao problema do desejo, é... é que os psicanalistas falam do desejo como os padres. Não é a única aproximação, os psicanalistas são padres. De que forma falam do desejo? Falam como um grande lamento da castração. A castração é pior que o pecado original. É uma espécie de maledicência sobre o desejo, que é assustadora. O que tentamos fazer em O anti-Édipo? Acho que há três pontos, que se opõem diretamente à psicanálise. Esses três pontos são... isso por meu lado, acho que Félix Guattari também não, não temos nada para mudar nesses três pontos. Estamos persuadidos, achamos em todo caso, que o inconsciente não é um teatro, não é um lugar onde há Édipo e Hamlet que representam sempre suas cenas. Não é um teatro, é uma fábrica, é produção. O inconsciente produz. Não pára de produzir. Funciona como uma fábrica. É o contrário da visão psicanalítica do inconsciente como teatro, onde sempre se agita um Hamlet, ou um Édipo, ao infinito. Nosso segundo tema é que o delírio, que é muito ligado ao desejo, desejar é delirar, de certa forma, mas se olhar um delírio, qualquer que seja ele, se olhar de perto, se ouvir o delírio que for, não tem nada a ver com o que a psicanálise reteve dele, ou seja, não se delira sobre seu pai e sua mãe, delira-se sobre algo bem diferente, é aí que está o segredo do delírio, delira-se sobre o mundo inteiro, delira-se sobre a história, a geografia, as tribos, os desertos, os povos...

CP: ... o clima.

GD: ... as raças, os climas, é em cima disso que se delira. O mundo do delírio é: "Sou um bicho, um negro!", Rimbaud. É: onde estão minhas tribos? Como dispor minhas tribos? Sobreviver no deserto, etc. O deserto é... O delírio é geográfico-político. E a psicanálise reduz isso a determinações familiares. Posso dizer, sinto isso, mesmo depois de tantos anos, depois de O anti-Édipo, digo: a psicanálise nunca entendeu nada do fenômeno do delírio. Delira-se o mundo, e não sua pequena família. Por isso que... Tudo isso se mistura. Eu dizia: a literatura não é um caso privado de alguém, é a mesma coisa, o delírio não é sobre o pai e a mãe. O terceiro ponto... Significa isso, o desejo se estabelece sempre, constrói agenciamentos, se estabelece em agenciamentos, põe sempre em jogo vários fatores. E a psicanálise nos reduz sempre a um único fator, e sempre o mesmo, ora o pai, ora a mãe, ora não sei o que, ora o falo, etc. Ela ignora tudo o que é múltiplo, ignora o construtivismo, ou seja, agenciamentos. Dou um exemplo: falávamos de animal, há pouco. Para a psicanálise, o animal é uma imagem do pai. Um cavalo é uma imagem do pai. É ignorar o mundo! Penso no pequeno Hans. O pequeno Hans é uma criança sobre a qual Freud dá sua opinião, ele assiste um cavalo que cai na rua, e o charreteiro que lhe dá chicotadas, e o cavalo que dá coices para todos os lados. Antes do carro, era um espetáculo comum nas ruas, devia ser uma grande coisa para uma criança. A primeira vez que um garoto via um cavalo caído na rua e que um cocheiro meio bêbado tentava levantá-lo com chicotadas, devia ser uma emoção, era a chegada da rua, a chegada na rua, o acontecimento da rua, sangrento, tudo isso... E então ouvem-se os psicanalistas, falar, enfim, imagem de pai, etc., mas é na cabeça deles que a coisa não vai bem. O desejo foi movido por um cavalo que cai e é batido na rua, um cavalo morre na rua, etc. É um agenciamento fantástico para um garoto, é perturbador até o fundo. Outro exemplo, posso dizer... Falávamos de animal. O que é um animal? Mas não há um animal que seria a imagem do pai. Os animais, em geral, andam em matilhas, são matilhas. Há um caso que me alegra muito. É um texto que adoro, de Jung, que rompeu com Freud, depois de uma longa colaboração. Jung conta a Freud que teve um sonho, um sonho de ossuário, sonhou com um ossuário. E Freud não compreende nada, literalmente, ele diz o tempo todo: se sonhou com um osso, é a morte de alguém, quer dizer a morte de alguém. E Jung não pára de lhe dizer: não estou falando de um osso, sonhei com um ossuário... Freud não compreende. Não vê a diferença entre um ossuário e um osso, ou seja, um ossuário são centenas de ossos, são mil, dez mil ossos. Isso é uma multiplicidade, é um agenciamento, é... passeio em um ossuário, o que significa isso? Por onde o desejo passa? Em um agenciamento é sempre um coletivo. Coletivo, construtivismo, etc. É isso o desejo. Onde passa meu desejo entre os mil crânios, os mil ossos? Onde passa meu desejo na matilha? Qual é minha posição na matilha? Sou exterior à matilha? Estou ao lado, dentro, no centro dela? Tudo isso são fenômenos de desejo. É isso o desejo.

CP: Como o O anti-Édipo foi escrito em 72, esse agenciamento coletivo vinha a calhar depois de 68, era toda uma reflexão... daqueles anos e contra a psicanálise, que continuava seu negócio de pequena loja...

GD: Só o fato de dizer: o delírio delira as raças e as tribos, delira os povos, delira a história e a geografia, me parece ter estado de acordo com 68. Ou seja, parece-me ter trazido um pouco de ar são a todo esse ar fechado e malsão dos delírios pseudo-familiais. Vimos que era isso, o desejo. Se começo a delirar, não é para delirar sobre minha infância, aí também, sobre minha história privada. Delira-se... O delírio é cósmico... Delira-se sobre o fim do mundo, delira-se sobre as partículas, os elétrons e não sobre papai-mamãe... é evidente.

CP: Sobre esse agenciamento coletivo do desejo, penso em certos contra-sensos. Lembro-me que em Vincennes, em 72, na faculdade, havia pessoas que punham em prática esse desejo e isso acabava em amores coletivos, não tinham compreendido bem. Houve muitos loucos em Vincennes, como vocês partiam de uma esquizo-análise para combater a psicanálise, todo mundo achava que era legal ser louco, ser esquizo. Víamos cenas inverossímeis entre os estudantes. Queria que contasse casos engraçados ou não desses contra-sensos sobre o desejo.

GD: Eu poderia falar dos contra-sensos abstratamente. Consistiam em duas coisas, havia dois casos, que dá no mesmo. Havia os que pensavam que o desejo era o espontaneísmo, e havia todo tipo de movimentos espontâneos, o espontaneísmo.

CP: Os célebres maos-spontex...

GD: E os outros que pensavam que o desejo era a festa. Para nós, não era nem um nem outro, mas não tinha importância, pois, de qualquer modo, havia agenciamentos que aconteciam, havia coisas que mesmo os loucos... havia tantos, de todos os tipos. Fazia parte do que acontecia naquele momento, em Vincennes. Mas os loucos tinham sua disciplina, tinham sua maneira de... faziam seus discursos, suas intervenções, entravam em um agenciamento, tinham seu agenciamento, mas entravam em agenciamentos. Tinham uma espécie de astúcia, de compreensão, de grande benevolência, os loucos. Se quiser, na prática, eram séries de agenciamentos que se faziam e desfaziam. Na teoria, o contra-senso era dizer: o desejo é a espontaneidade. De modo que éramos chamados de espontaneístas, ou então era a festa, mas não era isso. Era... a filosofia dita do desejo consistia, unicamente, em dizer para as pessoas: não vão ser psicanalizados, nunca interpretem, experimentem agenciamentos, procurem agenciamentos que lhes convenham. O que era um agenciamento? Um agenciamento, para mim, e Félix, não que ele pensasse diferentemente, pois era, talvez... não sei. Para mim, eu manteria que havia quatro componentes de agenciamento. Por alto, quatro, não prefiro quatro a seis... Um agenciamento remetia a estados de coisas, que cada um encontre estados de coisas que lhe convenha. Há pouco, para beber... gosto de um bar, não gosto de outro, alguns preferem certo bar, etc... Isso é um estado de coisas. Nas dimensões do agenciamento, enunciados, tipos de enunciados, e cada um tem seu estilo, há um certo modo de falar, andam juntos, no bar, por exemplo, há amigos, e há uma certa maneira de falar com os amigos, cada bar tem seu estilo. Digo bar, mas vale para qualquer coisa. Um agenciamento comporta estados de coisas e enunciados, estilos de enunciação. É interessante, a História é feita disto, quando aparece um novo tipo de enunciado? Por exemplo, na revolução russa, os enunciados do tipo leninista, quando eles aparecem, como, em que forma? Em 68, quando apareceram os primeiros enunciados ditos de 68? É bem complexo. Todo agenciamento implica estilos de enunciação. Implica territórios, cada um com seu território, há territórios. Mesmo numa sala, escolhemos um território. Entro numa sala que não conheço, procuro o território, lugar onde me sentirei melhor. E há processos que devemos chamar de desterritorialização, o modo como saímos do território. Um agenciamento tem quatro dimensões: estados de coisas, enunciações, territórios, movimentos de desterritorialização. E é aí que o desejo corre...

CP: Você não se sente responsável pelas pessoas que tomaram drogas? Ou, lendo muito ao pé da letra O anti-Édipo, não é como Catão, que incita os jovens a fazer bobagens?

GD: Sentimo-nos responsáveis por tudo, se algo dá errado.

CP: E os efeitos de O anti-Édipo?

GD: Sempre me esforcei para que desse certo. Em todo caso, nunca, acho, é minha única honra, nunca me fiz de esperto com essas coisas, nunca disse a um estudante: é isso, drogue-se você tem razão. Sempre fiz o que pude para que ele saísse dessa, porque sou muito sensível à coisa minúscula que de repente faz com que tudo vire trapo. Que ele beba, muito bem... Ao mesmo tempo, nunca pude criticar as pessoas, não gosto de criticá-las. Acho que se deve ficar atento para o ponto em que a coisa não funciona mais. Que bebam, se droguem, o que quiserem, não somos policiais, nem pais, não sou eu quem deve impedi-los ou ... mas fazer tudo para que não virem trapos. No momento em que há risco, eu não suporto. Suporto bem alguém que se droga, mas alguém que se droga de tal modo que, não sei, de modo selvagem, de modo que digo para mim: pronto, ele vai se ferrar, não suporto. Sobretudo o caso de um jovem, não suporto um jovem que se ferra, não é suportável. Um velho que se ferra, que se suicida, ele teve sua vida, mas um jovem que se ferra por besteira, por imprudência, porque bebeu demais... Sempre fiquei dividido entre a impossibilidade de criticar alguém e o desejo absoluto, a recusa absoluta de que ele vire trapo. É um desfiladeiro estreito, não posso dizer que há princípios, a gente sai fora como pode, a cada vez. É verdade que o papel das pessoas, nesse momento, é de tentar salvar os garotos, o quanto se pode. E salvá-los não significa fazer com que sigam o caminho certo, mas impedi-los de virar trapo. É só o que quero.

CP: Mas sobre os efeitos de O anti-Édipo, houve efeitos?

GD: Foi impedir que eles virassem trapos, que naquele momento... que um cara que desenvolvia... um início de esquizofrenia fosse colocado em boas condições, não fosse jogado num hospital repressivo, tudo isso... Ou então que alguém que não suportava mais, um alcoólatra, onde ia mal, fazer com que ele parasse...

CP: Porque era um livro revolucionário, na medida em que parecia, para os inimigos desse livro, e para os psicanalistas, uma apologia da permissividade, e dizer que tudo era desejo...

GD: De forma alguma... Esse livro, ou seja, quando se lê esse livro, ele sempre teve uma prudência, me parece, extrema. A lição era: não se tornem trapos. Quando nos opúnhamos..., não paramos de nos opor ao processo esquizofrênico como o que ocorre num hospital, e para nós, o terror era produzir uma criatura de hospital. Tudo, menos isso! E quase diria que louvar o aspecto de valor da "viagem", daquilo que, naquele momento, os anti-psiquiatras chamavam de viagem ou processo esquizofrênico, era um modo de evitar, de conjurar a produção de trapos de hospital, a produção dos esquizofrênicos, a fabricação de esquizofrênicos.

CP: Você acha, para terminar com O anti-Édipo, que há ainda efeitos desse livro, 16 anos depois?

GD: Sim, pois é um bom livro, pois há uma concepção do inconsciente. É o único caso em que houve uma concepção do inconsciente desse tipo, sobre os dois ou três pontos: as multiplicidades do inconsciente, o delírio como delírio-mundo, e não delírio-família, o delírio cósmico, das raças, das tribos, isso é bom. O inconsciente como máquina, como fábrica e não como teatro. Não tenho nada a mudar nesses três pontos, que continuam absolutamente novos, pois toda a psicanálise se reconstituiu. Para mim, espero, é um livro que será redescoberto, talvez. Rezo para que o redescubram.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

GUERRA NO RIO: SITUAÇÃO COMPLEXA NO ALEMÃO‏

O bem e o mal novamente guerriando, quem será que leva a melhor?
Brincadeiras a parte, é foda ouvir e ver esses absurdos.
Um tanque de guerra invadindo uma comunidade, gente inocente morrendo ou morrendo de medo e a mídia falando que a comunidade está a favor dessa intervenção.
Até oferecem água para os policiais.
Será verdade que estão tão anestesiados ao ponto de se deixarem invadirem de tal maneira e acreditarem que isso é para o bem?
Queria ver se a classe média ia gostar de ver essa parafernália toda invadindo a Rocinha que fica "logo ali" de São Conrado e Gávea também se não me engano.
Será que essa queimada de onibus feita pelos traficantes foi somente pelo fato da Segurança Pública querer inaugurar a Décima Terceira UPP, sendo que existem 1000 favelas no Rio de Janeiro?
Imaginem quando inaugurarem a Vigésima UPP...o Rio vai para o espaço.
Sem falar sobre a confiança que se deve ter nos policiais pacificadores para que não se atentem pelo "capeta" e se transformem em milícias, crime realmente organizado.
Será que o problema é somente de segurança pública?
Não ouvi a mídia mencionar que existem somente duas escolas no complexo do alemão para atender uma população de 400 mil pessoas.
Queria ouvir de vocês aí do Rio...
Estou chocado com o que estou ouvindo da mídia e das pessoas na minha volta.
Dá a sensação de EUA invadindo o Iraque, espécie de flashback.
O bem contra o mal.
George Bush = Sérgio Cabra
Nós e Eles.
Reducionismos, dicotomias...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ÚLTIMA ASSEMBLÉIA

Gente
Alguém lembra o que estava sendo discutido na última assembléia?
Tem algo haver com o tatame, ou o nome que vocês quiserem dar a isso...
Outra coisa é que não são todos que estão ambientados neste espaço.
Os que estiverem próximos a estes, ajudem.
Quem se lembra do que mais discutimos e deliberamos para o espaço Blog?
E também é importante colocarem o que querem sugerir para potencializar a assembléia.
Abraços a todos e a todas,
Hamilton.

domingo, 31 de outubro de 2010

Se eu fosse eu...

Pedra Branca, "Feijoada polifônica"

Jan Švankmajer - Passionate Dialogue

Si tratta del secondo episodio di 'Dimensions of Dialogue' del 1982 a opera del celebre, ma poco conosciuto in Italia, regista ceco Jan Švankmajer, genio surrealista di film girati spesso con la tecnica dell'animazione stop-motion. Molti dei suoi film sono realizzati da una prospettiva infantile con immagini surreali e da incubo, sia pure in qualche modo buffe e grottesche, ma di natura aggressiva e destabilizzante. Nel 1972 il regime stalinista del suo paese gli impedì per qualche anno di fare film e successivamente molte delle sue opere furono censurate fino al 1989.Diversi musicisti, fra i quali l'ex cantante degli Stranglers Hugh Cornwell col suo brano 'Another kind of love', si sono serviti di lui per la regia dei loro videoclips.A 74 anni il regista tuttora lavora a Praga.Questo cortometraggio tratta in soli 3 minuti eppure con magistrale efficacia il rapporto uomo-donna con annessi temi quali l'incomunicabilità, l'impossibilità al dialogo, l'incomprensione e in rapida sequenza l'amore, la sensualità, il sesso, le pene di una gravidanza indesiderata, l'aborto e la distruggente ferocia dell'odio umano.La colonna sonora è di Lucio Battisti con un brano strumentale tratto dall'album 'Amore e non amore' del 1971

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

SOBRE A LOUCURA

                                                                         JORGE BICHUETTI
Eis alguma pérolas sobre a loucura:
" Qualquer amor já é um cadinho de saúde, um descanso na loucura" Guimarães Rosa
" O psicótico é alguém que renunciou o mundo de vendedores e vencedores" Baremblitt
" A loucura é o vazio da solidão de quem ama" Aparecida, usuário da CAPS_MARIA BONECA
" A loucura é a surra que o simulacro levou do sistema"  Baremblitt
Eu?
"A loucura é a viagem entre o sonho e a poesia, entre a magia e o devir, se dá nas asas de um passarinho ou no neón de uma estrela bailarina... Está no entre da ferida que sangra e a aurora que chega parindo um delírio de alegria e um canto de libertação... É canto, encanto e encantamento... Um pântano florido de lírios e um céu onde o cinza foi nublado pela força-vida de um arco-íris." jorge em diálogos com a lua...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ESQUIZOANÁLISE: QUE BICHO É ESTE?

                                                                                               JORGE BICHUETTI

Queridos, como clarearei tão difícil indagação? Não é lua, mas noto-a cheia de luar e enluarada...
Tudo começa com u proósito claríssimo: unir no desejo na produção e a produção no desejo...
Se constrói, e vira um pensamento, uma arte, uma política, um modo de vida, uma clínica, uma prática social e muito mais...
O bicho engoliu os indigestos e soberbos és e defecou fertilíssimos es... Assim, se tornou eclética, heterodoxa, dada a juntar, roubar e conectar elementos distintos e montar uma caixa-de-ferramenta.
Não crê num papel saudável das identidades restritas e rígidas: valoriza, assim, a singularidade, a multiplicidade, a diferença e o devir...
Tudo e todos somos metamorfoseantes...
Para Deleuze, tratava-se de matar ( destroçar) o ego e caçar linhas de fuga...
O mundo estriado, normativo e repressivo, vigia e impede o novo... então, só há um caminho: driblar os registros e controles e contornando os mecanismos do instituído, fabricar linhas de fuga que vitalize, Dê consist|ência e atualize a produção desejante, inovadora, criativa e inusitada.
São "pensares e agires" que se sustentam no projeto ético-estético de afirmação da vida, vida de bons encontros e paixões alegres, de desejos e vontades de potência.. Num combate aguerrido a todo poder. Visa raspar os mecanismos internos e extrnos de dominaão, exploração e mistificação...
Já não abona o tédio das repetições, das cópias... Ousa apostar na vitalidade e fecundidade da diferença...
Obstinadamente, alisa a vida para que esta possa ser territórios de devires e aontecimento...
Que não criados por autores, já que tudo , para ela , se dá no ENTRE...
E é nos ENTRES que conectamos pessoas, idéias, peças e coisas e sonhos e montamos dispositivos, espaços de transversalidade que nos permite superar o sujeitinho e as nossas subjetividades assujeitadas, para num processo de subjetivação produzir nossa própria vida como obra de arte...
Daí, nós que éramos prisineiros de um inconsciente teatral, reducionista e familialista e de um desejo regressivo e repetitivo, sempre objetal, nos descobrimos deuses....
Nosso insconsciente é desejante e produtivo, não é nuclear, fala do futuro e é um rizoma que rizomatiza toda nossa vida.
E o nosso desejo é contrutivismo... Um invento prazeroso do entre que não possuindo um objeto único... nos reinventa como potência amorosa e liberdade plenificada.
Assim, é este bicho... Um vôo, uma fecundação, uma estrela bailarina grudada nos nossos pés de andarilhos..

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

...,-!


Entregar-se,

é confiar

dar-se, render-se,

Deixar-se

É permissão...

de vida,

é o embalo na rede sem pés no chão,

é sair do trilho,

é bolinha de sabão ao vento...

o ar-dentro permitindo-se ser conduzido pelo ar-fora-vento...

limites tênues...

é a vida acontecendo...

TRECHOS DE AUGUSTO BOAL, extraídos de HAMLET E O FILHO DO PADEIRO - memórias imaginadas - PARTE 1



" ... as palavras na língua materna, tem história e pré-história; em língua alheia, história só."

"... namoro é cultura, muda com o tempo. A Biologia, no entanto não é cultura: o corpo humano deseja em qualquer tempo... o corpo humano não é cultura: aforma de beijar pode ser, não o beijo." (p.101)

"Isto espelhos tem de ruím: espelham! Via minha imgem e sentia que alguém me via. Meu outro eu."(p.120)

"Ser ou não ser? A tragédia de Hamlet não é ser ou não ser: é ser e não ser. Hamlet é os dois, o Pai e o Tio, a morte e a vida - e só não sabe ser ele próprio. Sou especialista nessa dicotomia..."(p.127)

"Van Gogh pensou com sua cabeça, moveu o pincel com suas mãos, misturou tintas com seu olhar. Não disse: "Que será que vão dizer? Marchant vai me comprar?" Por isso soube pintar o vento, que não ficava quieto pra posar nem pra Van Gogh. Soube pintar a velhice e não apenas o velho sentado na cadeira amarela. Pintou a cor e não apenas a coisa colorida. Viva Van Gogh!
Rembrant gostava da ambiguidade do claro-escuro sem se preocupar com reclamações de quem queria mais luz pra ver melhor... Picasso sempre fez o que lhe deu na telha. Telha de artista. Imaginem se tivesse prestado atenção às mulheres que preferiam ser retratadas com um olho de cada lado do nariz e a boca embaixo das narinas? Picasso via narizes e tetas, bocas e orelhas onde quer que estivessem na sua imaginação, não na cara de suas modelos.
O público, o que eu quiser há de querer! Así soy! Não vou fazer o que penso que deva ser feito, mas o que quero: correr riscos. " (p.131)

"Com desejo e arte, falta de meios pode ser estímulo. Em nossos países escravizados estamos condenados à criatividade! (...) Espaço cênico finito: dentro de nós porém, somos infinitos. Fizemos a busca da infinitude: para dentro de nós." (p.139)

"...a verdade de todo teatro é a interrelação entre seres humanos. É a paixão que entre eles flameja." (p.140)

"O olho é a parte mais vulnerável do corpo humano! Por isso procuramos recatados, esconder nossos olhos em momentos de emoção. Ou oferecê-los, em momentos de amor. Os atores devem-se oferecer seus olhares. É no olhar que se cria a estrutura do espetáculo. É no olhar que nascem os personagens. É no olhar que se descobre a verdade.Não basta o olho aberto: falo do olhar profundo do qual até os cegos são capazes."(p.143)

"...o filósofo é a parteira que faz o aluno descobrir o que já sabe, sem saber o que sabe, através de perguntas que provocam a reflexão, abrindo caminho para a descoberta. Assim deve ser o diretor teatral: ajuda o ator a parir personagens." (143)

"A emoção decorre de uma descoberta e não da ignorância. É terapêutica: a verdade é terapêutica. Arte faz bem à saúde. Devia ser recomendada por todos os médicos. O teatro também..." (p.144)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Penso, Logo escraviso....

Penso, logo escraviso....
Prisão de um ego atrofiado, embrutecido ao invisível.
Roupantes de alegria se fazem necessários aos cantos das gaivotas sobre o alisamento do rio;
Voar e não pensar, bater asas e devir.
Rodopiando viciadamente como um moinho me paraliso, na triste repetição codificada;
Atravessando como água entre moinho me desestabilizo, pois se códigos não há controle....me desterritorializo junto ao Acaso.
Quando penso logo escraviso...
Como brotar flor em meio a água do fluxo de um rio, sem secar rio para plantio em terra firme?
Sozinho em minhas multidões rumo aos novos mundos
Devagar e sereno, desbravo com audácia as tribos incandescentes de um verão próspero.
Dou passagem ao silêncio do acaso o dobrando em sons multiplos de n acontecimentos.
Ao pensamento dirijo meu penar, minha prisão linguística;
Ao corpo dirijo sem olhar, agenciando outras-coisas-metamorfoseantes.
Ao barulho de multidões me pego kompondo com as lisuras de um entardecer povoado de passáros mutantes.
Ao por do sol, me vi descendo montanhas, rochosas....duras/
Durante a descida me atravessa um leopardo galapando em vida rumo ao desconhecido;;;;
Sua coragem ativa em mim Esperança de experimentação, em descida temorosa.
Leopardo me captura por entre o olhar e o vento, e a grama, e os pássaros, e as nuvens e aos medos, e as inseguranças e a política....
Produzindo outras koisas e multiplicando o uno-egóico-moinho de repetição triangular,( que restringe minha potência ), dando passagem as n possibilidades de estar em contato com as tribos que habitam em mim, em suas diversas alteridades, capturando os cruzamentos de potencias singulares e agenciando vida em acontecimentos regados por multiplicidade e fomentandos pela heterogenese multi-pássaro-colorida potencial.
Ao vento meu obrigado.
Aos leopardos meus sinseros "obriCuidados".Viva Vida.

Guuilherme Elias

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

quem quer ser um administrador?

Se você quiser alimentar o nosso espaço basta você entrar no site: http://www.blogspot.com/; fazer login através do email: entre.nos.uberaba@gmail.com e senha: esquizodrama. Vamos ocupar para compor juntos!!! Abraços, Hamilton.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O que é um congresso?

No espaço da grama e das pedras, da água da piscina
circulam "gentes", circulam rindo, cantando, desfazendo laços,
criando teias-aranhas...


Ternura de Jorge... revolta de Ana... as mulheres da guerra...
uma paraibana que chora por seus meninos mortos...
a língua de Pritama... beijos em Baremblitt...

As entranhas que estão nos pés, nos dedos, nas mãos, nos pelos,
no corpo sem órgãos de Artaud e sua denúncia dos espermas infantis
e seus filhos futuros. Salve a voz esganhiçada, gutural que catuca:
"Vai! Vomita! Caga! Denuncia!"


Não querer para si um corpo pleno de capitalismos, de vaidades...
Ninguém precisa ler isto, nem eu... Quero ser pura biolência!!!!


Um pouco de Mehry multiplica o mundo:
"Perdemos no macro, mas ganhamos no micro" ou
"sou um pessimista no macro, mas um otimista no micro"


Querer uma clínica menor, uma relação menor, pequena aliança!!!

A que, a quem os pescadores cativam em suas redes?
Na minha rede cativo quem, o que?


Entre jovens que falam e riem sem parar, ela passa...
NEGRA e SILENCIOSA. Parece uma aparição!
Agora está tão perto, observa - é rainha africana escravizada.
Me catuca. Eu que me reuno com seus, com meus antepassados.


E Ju-Flor? Com seu devir-menina que insiste em querer mudar o mundo
com uma pergunta: " tem certeza que o ônibus vai sair mesmo às 10
pra meia-noite?"... pensa... de novo... "eu sou a Ju Flor de SP"...
do outro lado alguém: "Ju Flor? conheço? todo mundo já sabe de você"


Pergunta-se : como criar linhas de fuga se o táxi no sábado custava
R$ 20,00 e no domingo custa R$ 30,00? Há Ju-Flor que negocia...
Patrícia que vai atrás da oportunidade...


Mas também há ausência na fila que não anda e ninguém reclama...
Depois de ser incitado a criar um Brasil novo, a fila nos empobrece.
É a evidência do "falar e não fazer"? Não respondo. Fiz. Gritei.
Denunciei.


Quem quer lutar a grande luta? Criar os "fronts" nas "existências" e
nos cotidianos e nas conexões dos encontros?

Você topa criar teia-aranha pra produzir acontecimentos?



.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Profetizando a Gentileza


Uma linha de fuga entre a sociedade de controle. Resistência criativa na tentativa de tornar os espaços públicos novamente em lugares de encontro, de fazeres coletivos.
Onde, cotidianamente passamos apressados, ocupados com nossas masturbações mentais e preocupados com a produção mortífera dos corpos, está ele e ela...o profeta com a sua gentileza, o andarilho com a sua arte, o real com a sua utopia, o deserto com a sua flor!
O paradigma vigente nos controla como cavalos em uma corrida de apostas....quem produz mais? quem consome mais? e o vencedor, não se enganem, não será o cavalo e sim seu dono.
E para aqueles que não "conseguem" acompanhar o ritmo desenfreado do capitalismo, sobram-lhe as margens, os restos, os farelos de um pão mortificado pela sua identidade de pão, por que não torrada?
É preciso, também, para além do consumo produzir restos, ou, de forma menos coloquial, produzir assistencialismo a fim de que, no céu, sua cadeira macia de nuvem possa ser reservada!
Alguns dizem ser epidemia, outros o fim do mundo, tantas pessoas nas ruas, tantas ruas nas pessoas...eu diria...as vezes é difícil olhar no espelho, certo? Pois, tanta mendicância é reflexo de uma sociedade empobrecida de valores coletivos, de autogestão, de linhas de fuga que possam imprimir na malha invisível da sociedade de controle a marca excrepante da singularidade.
Quanto mais muros, alarmes, portões e força, mais mendicância, violência e morte virão.
Não é preciso ser profeta para tal profecia, basta sermos humanos demasiados humanos e encontraremos por fim o que também tanto nos falta: a Gentileza!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Encontros...

Encontros povoados e potentes...

Inusitados! sabores estranhos...doces, salgados, imperceptiveis...

Eis a delicia de estar Junto!

Agradecida por tantas composições!!!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Frag-ementos do dia

Hoje o Sr."Tô Calado" disse:

"Na semana passada a gente falou da nossa vida e andou num caminho com pegadas"... silêncio... um sorriso... "a gente falou de felicidade!!!"

A Sra.M contou:
- "Esse bebê tá feliz ´que sabe que tem uma mãe que cuida dele. Eu queria tanto ser feliz como esse bebê!!!"
Daí...desejando...colando...pintando...sorrindo...contando...desenhando...escrevendo....

A Sra.M em devir-sábio ou será sabiá?
Infinitas possibilidades - - - enes partes e encontros em mins, em Sras.M., em Srs."Fico Calado"...

As flores de algodão embelezam a vida, Sra.M?

palavra que vem

possível
.
.
.


realização

*
*
re-aliza-ação...
+
+
réa-liza-ção...
( )
( )
-liza-são
-
-
ré-liza-
[ ]
[ ]



sã  ????

Mudança

É uma muda dança
De música interna
que afina, e se desafina
segundo o toque da vida, pra descobrir o melhor tom...
É cuidar da vida
E ter tempo
É mudar o foco do viver
Na dança muda da vida
Muda o compasso, o ritmo...
Para a vida fluir com tranquilidade
É desaprender para reaprender
a dançar e viver
A vida roda,
Ainda que a roda da vida pareça estar parada...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

OOIIIIII, TEM ALGUÉM AÍ???

Sempre que eu entro aqui eu procuro alguém em todos os cantos dessa sala,
Sempre tenho a esperança de encontrar alguém desatento sentado sentindo algo
Sempre vejo esse relógio na parede que as horas não passam
Que tempo é esse?
Que lugar é esse?
Alguém me diz onde é a porta de saída...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Veículos,

No universo da borda
Os veículos tem outro sentido
A Kombi preta é guiada pela morte
As motos amarelas são labaredas de foguetes
Os carros reluzentes, a caridade
As sirenes...

Fragmentos da aula Jorge dia 28 de Agosto

ANÁLISE INSTITUCIONAL - as histórias - até o marxismo - um homem - indivíduo - agia - ABOLIÇÃO - farol - conjuntura econômica - conjuntura internacional - inevitável - a abolição - HISTÓRIA - heróis - vilões - HISTORIOGRAFIA - personifica - naturaliza - historiografia - montagem - arqueológica - acontecimentos - TROTSKI - percursor - pensamento historiográfico - MARXISMO - relações - econômicas de produção - de classe - determina - os acontecimentos - rumos da história - visão totalizante - Estado - visa proteger as classes dominantes - protege como produtor - ATO MÉDICO - ato - sofisticado - tecnológico - ideologia - reflexo - luta de classes - "o homem fabrica a própria história" - Marx - como uma pessoa deixa de ser uma pessoa e passa a agir como classe? - objeto das relações econômicas - objeto das relações de classes - Estado - Classe - Macro/Molaridades - ESTUDANTES - motor das lutas sociais da classe média - ECONOMIA - defende as relações sociais - REVOLUÇÃO MOLECULAR - liberdade - desejo - micro-política - Focault - classe - correto - subjetividade - gerir - instituições - normatização - arqueologia do discurso - relações de poder - ciência pobre - adoecer - produção de saúde - modo de gestar a vida - acontecimentos - evasão ao micro - análise do discurso é privilegiada - Movimento Social no Brasil - Parada Gay - Plano Nacional dos Direitos Humanos - Congresso racha - mover a produção - precisa-se - corpo alienado das violações dos direitos - loucura - exclusão - periferia - sexual - mulher - poluição - MOLECULARIDADE - ordem/desordem - potência - desejo - dispositivo - se deseja conexões - se deseja um dispositivo - o desejo não é de uma pessoa - o desejo é pelo encontro de coisas - molecularidade - micro - uma boa ação de intervenção no sócius - conjugar - cartografar - minha história de afetação junto ao objeto - molecular é a potência do novo - a potência reativa das molecularidades das coisas altera a molaridade? - molecular - gera um novo pensamento - novo mundo possível - acabar com o mundo dos patrões - não resolve as subjetividades - gera - instituído derrotado no campo econômico - instituinte bem sucedido - o mais alto nível do devir é o imperceptível - histórias são fabricadas e isso não se esgota - como me afeta? - IDENTIDADE - escravo da imutabilidade - Qual é a prática clínica da esquizoanálise - ? - o lugar de entrada não é o da saída - o molar tem leis - instituinte/instituído - instituinte ganha expressão estética - superfícies que perpassam o molar e o molecular - produção - produção de produção - produção de reprodução - coibir a potência revolucionária - contra-cultura - quando não se tem um inimigo a gente cria um inimigo - situação catastrófica para produzir potência - extensão/molar - intensidade - molecularidade - desterritorialização - campo da molaridade - linhas de causalidade - regularidade - história da molaridade - redes complexas de determinação - o caos é uma desordem criativa capaz de criar focos de auto-poiese - agenciamentos - subjetividade se explica pela molaridade - grupos concretos molares que reproduzem um jeito de ser - fluxos produtivos - novas histórias colocam algo inusitado - DESEJO - realização utópica de um sonho - desejo é reconstitutivo pois eu posso entendê-lo a partir do passado - FREUD - subjetivação compõe singularidades e individualidades - PERSPECTIVA HISTÓRICA - relações do objeto com o social - como se dão as relações de trabalho - não existe demanda sem oferta - a partir do que eu oferto eu condiciono aquilo que me procura - IMPLICAÇÃO - qual a relação que eu tenho com os projetos - tática/dispositivo - ANALISADOR - pistas - LINHAS DE FUGA - caçar - inventar - dispositivos - linhas de fuga que estão entre o inconsciente coletivo - driblar os condicionamentos sociais - escamotear - contorcer os mecanismos - driblar a realidade repressiva - conjunto de normas, valores e leis do que é possível e impossível - esquizofrenia - desterritorialização pura - produto mais fiel do capitalismo - tudo que é sólido desmancha no ar - não visa experimentar inovação - esquizofrênico que fica na fronteira do capitalismo não é aceito - antiprodução - não quer linhas de diferença - leitura da realidade desfocada - vivenciar conexões rizomáticas com a vida - inconsciente produtivo - frutificar o novo - nasce do inconsciente - pura energia - pura novidade - medo - medo de aventurar-se - insegurança do vil metal - lógica da repetição - lógica da exclusão - ORGASMO - agressivo - morte - destruição do outro - Basaglia - formação é deformação - superfície - registro de controle - vigiar e punir - não temos corpo para dar conta das potências que estão surgindo - homem como novo controle - isso pode - isso não pode - os instituídos nos fazem pensar na vida - escapole - consegue furar a vigilância que impõem os registros de controle - produção inútil - gera - desprodução - potência inovadora de ser - proposições - pintar com outras palavras a vida - criação do genuíno - envelhecimento não é perda - de potência - inventar a suavidade - relação libertária - dissolução da opressão - turista - vouyer - se instala outros mecanismos de vida - nômade - ANTIÉDIPO - primeira leitura sociológica de Deleuze e Guatari - potência revolucionária que são as linhas de fuga - solidariedade - rompe com o individualismo - competição - organização de um dispositivo - visa-se repeti-lo - lutar permanentemente para evitar a calcificação - esforço para mantermo-nos protagonistas - MIL PLATÔS - outras táticas - espaço liso - espaço estriado - estriamentos - homem - mulher - não justifica um estriamento social - condições que vão para além do gênero - homem é diferente de mulher por uma construção social - ATO MÉDICO - ato instituído que amplia os estriamentos - serve como um delimitador - estriamento - tenta impedir potências - estriamento - organiza hierarquias - estriamento flexível - estriamento duro - exclusão - ESPAÇOS LISOS - livres experimentações - auto-gestão - o novo depende do estriamento dos espaços - transversalizar as relações - ESTRIAMENTOS - produz as subjetividades - psicologia - sujeito - castração - relações triangulares - movido pela competição - nasce dos estriamentos - modos que pode-se identificar - jeito de lidar com o corpo que tem haver com o vínculo de classes - roupa - fala - expressão - assistencial - estriamentos inibem a relação - fazer assujeitamento - há estriamentos do fora - projeto - alisar nossos espaços - processo - corpo sem órgãos - algum estriamento é necessário - não preciso colocar uma roupagem 24 h/dia perpetuando uma função - apoderar de um lugar - permanência - centralisar o poder e uma opinião = estriamento - TRANSVERSALIDADE - zona potente da vida - SUBJETIVAÇÃO - subjetividade livre - não se tem como medir o efeito de uma intervenção klínica universal - produção de subjetividade alienada - política de desejo - adolescente em conflito com a Lei - intevenção no campo social - alisamento - quebra do que é poder e não poder - TEATRO - interessante para a esquizoanálise quando foge da representação e passa para a vivência experimental - REALTERIDADE - potências que não se atualizaram - intervenção - atualização das realteridades - realidade imanente invisível pré-virtual - não tem visibilidade - existem potências na vida que são imanentes à vida que eu vivo - campos de intervenção atualizam uma realteridade - outrar-se - PICHON-REVIERE - temos uma pauta de conduta maciça e ossificada - FOCAULT - legado - o discurso tem um poder normativo - em tudo há relações de poder - existem dispositivos com poder de subjetivação - ARTE - potência de produção da nova sociedade mundial de controle - texto - mapeamento de controle difuso - formar um rizoma - visão ortopédica - novas práticas - novo homem - violência X biolência - violência é quando a minha afirmação gera a morte do outro - biolência é quando o ato agressivo gera vida - produzir uma capacidade de tocar e afetar vidas...