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sábado, 22 de janeiro de 2011

UTOPIA ATIVA

                                                            Jorge Bichuetti

Mergulhados na racionalidade técnica-instrumental, no mundo da lógica forma e do pragmatismo, estamos mecanicamente acostumados a pensar e a sentir como se a vida fosse um exercício de álgebra.
Não perdemos tempo, otimizama-lo; escravizando-nos ao relógio.
E usamos todo tempo útil para a produção de mercadorias e status, de entesouramentos e poderes.
O surrealismo já postulava a necessidade de nos afstar nesta servidão mercantil. Chamava-nos para o pensamento mágico, para os amores loucos, para a imaginação e o sonho como territórios do devir e dizia que somente a conjugação entre arte e revolução nos libertaria do robô repetitivo e insensível que nos tornamos sob os auspícios da subjetividade capitalística.
Há lugar na nossa vida para os sonhos?
Há espaço em nossos caminhos para a poesia?
Há tempo no nosso dia-a-dia para ócio?
Lá fora, chove e brilha um arco-íris...
Lá fora, o pôr-do-sol é um convite à doçura de um beijo e ao calor arrepiante de um abraço...
Lá fora...
Aqui, somos racionais...
Este modo de ser e existir perpetua a realidade, pois escamoteia a necessidade e possibilidade de mudança, do novo, do intempestivo e disruptivo, da impermanência e da vida metamorfoseante dos que se permitem criatividade e experimentação, bons encontros e paixões alegres.
O conceito de utopia ativa emerge para nos instrumentalizar nesta ruptura necessária...
Um sonho, um ideal, uma utopia: nossos desejos fabricando uma nova vida.
Não na contemplação de quem espera passivo os escritos das estrelas ou os alvitres do destino...
A utopia ativa é o desejo que se consubstanciando numa vontade de potência gesta dispositivos de luta. Luta pelo novo, luta desbravando na linha do horizonte oo apogeu de um novo e genuimno alvorecer...





















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SEMPRE ALI ESTAREI... COM TERNURA, JORGE

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ESQUIZOANÁLISE E PRODUÇÃO DE VIDA

                                                                    Jorge Bichuetti

Foucault afirmou que o próximo século seria deleuzeano.
De fato, nem sempre o entendemos: a esquizoanálise se tornaria um pensamento dominante ; ou o mundo se revolucionaria , consubstanciando no seu dia-a-dia o ideário libertário da esquizoanálise.
Neste sentido, a profecia foucaultiana não se cumpriu...
Todavia, nos que existimos mergulhados neste de mundo de exploração, dominação e mistificação, encontramos no pensamento de Foucault um campo de esperança e resistência, sonho e vida nova.
A esquizoanálise nunca se pretendeu molarizar-se e encastelar nos tronos académicos ou políticos, num apogeu de triunfalismo e poder.
Ela se constitui num processo ininterrupto de invenção da invenção.
E se destina, fundamentalmente, a deter - no homem e no socius, o fascismo; ela surgiu para criar uma vida não-fascista.
Assim, brilha e faisca, é uma centelha da aurora, um voo livre nos páramos do infinito, quando delimita seu chão: o direito à diferença. Um chão florido e multicolorido, com canções e poesia, del´rios e magia...
Visa morte do ego...
A institucionalização do ego da subjetividade capitalista é uma normatização de modo de ser e existir marcado:
- pela unidade, totalização e permanência. É estabilidade e inflexibilidade...
- narcisismo - individualismo, egoísmo e egocentrismo.
- repetitivo, tende a cristalizar o mesmo;
- edípico: triangular, possessivo e excludente.
,,, Um ego da falta e castrado, fadado à angústia, e arredio ao novo.
A esquizoanálise nos percebe como movidos pelo excesso, pela produção desejante: singularidade, multiplicidade e devires.
Somos metamorfoseantes ( Orlandi)...
Dai, sua função  é alisar os instituídos e gerar espaços lisos -instuintes onde possam florir o novo, o inusitado.... Onde a impermanência floresça e frutifique nos possibilitando uma individuação que seja  no redemoinho da impermanência a invenção criativa de " uma nova terra, de um povo por-vir".
Para além, do reprimido que volta, ela nos permite bifurcar e explorar novos caminhos e novos eus.
Podemos, assim, já mergulhar no universo esquizoanalítico e ser e existir na magia da liberdade, nos encantos da ternura e na potência da solidariedade.
Uma vida, n revoluções...
N revoluções, por uma vida nova e disruptiva: vontade de potência que afirma nossas posições de desejos no território dos bons encontros sob a égide das paixões alegres.
Deleuzeemos, então, num devir fénix...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

SOBRE A LOUCURA

                                                                         JORGE BICHUETTI
Eis alguma pérolas sobre a loucura:
" Qualquer amor já é um cadinho de saúde, um descanso na loucura" Guimarães Rosa
" O psicótico é alguém que renunciou o mundo de vendedores e vencedores" Baremblitt
" A loucura é o vazio da solidão de quem ama" Aparecida, usuário da CAPS_MARIA BONECA
" A loucura é a surra que o simulacro levou do sistema"  Baremblitt
Eu?
"A loucura é a viagem entre o sonho e a poesia, entre a magia e o devir, se dá nas asas de um passarinho ou no neón de uma estrela bailarina... Está no entre da ferida que sangra e a aurora que chega parindo um delírio de alegria e um canto de libertação... É canto, encanto e encantamento... Um pântano florido de lírios e um céu onde o cinza foi nublado pela força-vida de um arco-íris." jorge em diálogos com a lua...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ESQUIZOANÁLISE: QUE BICHO É ESTE?

                                                                                               JORGE BICHUETTI

Queridos, como clarearei tão difícil indagação? Não é lua, mas noto-a cheia de luar e enluarada...
Tudo começa com u proósito claríssimo: unir no desejo na produção e a produção no desejo...
Se constrói, e vira um pensamento, uma arte, uma política, um modo de vida, uma clínica, uma prática social e muito mais...
O bicho engoliu os indigestos e soberbos és e defecou fertilíssimos es... Assim, se tornou eclética, heterodoxa, dada a juntar, roubar e conectar elementos distintos e montar uma caixa-de-ferramenta.
Não crê num papel saudável das identidades restritas e rígidas: valoriza, assim, a singularidade, a multiplicidade, a diferença e o devir...
Tudo e todos somos metamorfoseantes...
Para Deleuze, tratava-se de matar ( destroçar) o ego e caçar linhas de fuga...
O mundo estriado, normativo e repressivo, vigia e impede o novo... então, só há um caminho: driblar os registros e controles e contornando os mecanismos do instituído, fabricar linhas de fuga que vitalize, Dê consist|ência e atualize a produção desejante, inovadora, criativa e inusitada.
São "pensares e agires" que se sustentam no projeto ético-estético de afirmação da vida, vida de bons encontros e paixões alegres, de desejos e vontades de potência.. Num combate aguerrido a todo poder. Visa raspar os mecanismos internos e extrnos de dominaão, exploração e mistificação...
Já não abona o tédio das repetições, das cópias... Ousa apostar na vitalidade e fecundidade da diferença...
Obstinadamente, alisa a vida para que esta possa ser territórios de devires e aontecimento...
Que não criados por autores, já que tudo , para ela , se dá no ENTRE...
E é nos ENTRES que conectamos pessoas, idéias, peças e coisas e sonhos e montamos dispositivos, espaços de transversalidade que nos permite superar o sujeitinho e as nossas subjetividades assujeitadas, para num processo de subjetivação produzir nossa própria vida como obra de arte...
Daí, nós que éramos prisineiros de um inconsciente teatral, reducionista e familialista e de um desejo regressivo e repetitivo, sempre objetal, nos descobrimos deuses....
Nosso insconsciente é desejante e produtivo, não é nuclear, fala do futuro e é um rizoma que rizomatiza toda nossa vida.
E o nosso desejo é contrutivismo... Um invento prazeroso do entre que não possuindo um objeto único... nos reinventa como potência amorosa e liberdade plenificada.
Assim, é este bicho... Um vôo, uma fecundação, uma estrela bailarina grudada nos nossos pés de andarilhos..