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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

PALAVREANDO

                                                                                          Josiane Souza


Tentei inventar as cores de eu pintura,
Nesta tela sôfrega de mim entardecer.
Toquei fios de pincéis ainda emaranhados,
Que sobre minhas tintas fez nascer.

Nascer.. de entranhas incógnitas,
De onde não enxergo pude ver...
Prenha de mim e do mundo,
Parida desse a-fecto de viver.

Raízes se espandem do coletivo das mentes,
Se conectam com o universo em verso.
Explodem em big-bangs dormentes.

De meus pés, brotam orelhas!
Ouçam a fertilidade dessa terra...
Desperto, e sou flor, rodeada de abelhas.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ressoando - esquizodrama dia 27\01

05\01\2011

“Arco-ìris do Desencanto – eterno-retorno dos movimentos!”

A menina, em sua pequenez e olhar ingênuo, apesar de não poder vê-lo nitidamente, ainda está embaçado entre nós..
Seu vestido, branco, épico, em toda fulgacidade de séculos atrás de distancia entre nós... há muito tempo, nem sabia de sua existência... ela então, ao brincar com outra menina, numa dança de fios de cabelos coloridos....se apresenta, ao mundo, ao enfrentamento de olhar e andar, caminhar, entre-mundo... Tornar-se, apropriar-se de suas partes, compostas, de-compostas, expostas, acessas!
Ela foge, num ligeiro desviar de olhos, triunfantes de certeza de loucura, medo!
Mas, o retorno-eterno, não idêntico, imagem...em fluxos, ressoa novamente sua presença...ora em asas de borboletas, ora em pássaros pequenos e cantantes que em ritmo acompanham, seu movimento fulgaz e deslizante ....ora, no arco-íris nítido frente aos olhos, frente ao corpo, que para, e imóvel em alguns instantes, admira, apenas admira, sente nos acordes da pele, as cores que intensificam, em arco, em multiplicidade retorna...
Aos movimentos!!!
Chega de matá-la, esconde-la, vê-la épicamente num sonho distante, cheio de terror, quando sustentas o encontro que acontece entre “elas”....possibilidades....afirmação da simplicidade, como o vento que toca a pele, enquanto caminhas pelas ruas, pelos becos, pelos ventos, através da chuva, da poça, dos corpos em movimento!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Encontro Entre !!!

Dilúvio em intensidades....


Derrama, vaza, re-singulariza;
Grita, libera o que escravisa;
Sonhe, delire uma nova vida;
Corra, arraste, sinta o tocar das aves;
perembule, saia na rua e veja sem olhos;
Sinta a vibração...
Ondas de afeto no Entre Grupo de espalham...
Contaminam.....
E modificam o corpo enjessado, duro
Acolha, doa, seja cuidado...
se entregue, se despe e vida...
Vida nova, corpo novo, não organizado...
Caos, tambem nascem flores...
Num dilúvio de ondas polifônicas de arrebentação que produzem bons encontros...
sinta o sal, amarre o som do silencio...
flutue na vida, levite nas árvores, e se contamine pela heterogenese
Caminhe, cante, diga bom dia ao novo sol do dia
Bata palmas, escreva, detone o que te paralisa
Encontre... Entre...a linha da razão.

Guilherme Elias

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

NO ENTRE

                                       Jorge Bichuetti

A saudade mora
no entre
a suavidade do beijo
e o silêncio do adeus...

Já a paixão,
no entre,
voa, é passarinho...
Sempre está
com um corpo pleno
de desejos,
nos rodopios do prazer,
impregnando-se com o cheiro das flores;
e com o coração
nas estrelas,
tecendo um terno diálogo
entre a voracidade do êxtase
e a serenidade de uma oração...

sábado, 22 de janeiro de 2011

UTOPIA ATIVA

                                                            Jorge Bichuetti

Mergulhados na racionalidade técnica-instrumental, no mundo da lógica forma e do pragmatismo, estamos mecanicamente acostumados a pensar e a sentir como se a vida fosse um exercício de álgebra.
Não perdemos tempo, otimizama-lo; escravizando-nos ao relógio.
E usamos todo tempo útil para a produção de mercadorias e status, de entesouramentos e poderes.
O surrealismo já postulava a necessidade de nos afstar nesta servidão mercantil. Chamava-nos para o pensamento mágico, para os amores loucos, para a imaginação e o sonho como territórios do devir e dizia que somente a conjugação entre arte e revolução nos libertaria do robô repetitivo e insensível que nos tornamos sob os auspícios da subjetividade capitalística.
Há lugar na nossa vida para os sonhos?
Há espaço em nossos caminhos para a poesia?
Há tempo no nosso dia-a-dia para ócio?
Lá fora, chove e brilha um arco-íris...
Lá fora, o pôr-do-sol é um convite à doçura de um beijo e ao calor arrepiante de um abraço...
Lá fora...
Aqui, somos racionais...
Este modo de ser e existir perpetua a realidade, pois escamoteia a necessidade e possibilidade de mudança, do novo, do intempestivo e disruptivo, da impermanência e da vida metamorfoseante dos que se permitem criatividade e experimentação, bons encontros e paixões alegres.
O conceito de utopia ativa emerge para nos instrumentalizar nesta ruptura necessária...
Um sonho, um ideal, uma utopia: nossos desejos fabricando uma nova vida.
Não na contemplação de quem espera passivo os escritos das estrelas ou os alvitres do destino...
A utopia ativa é o desejo que se consubstanciando numa vontade de potência gesta dispositivos de luta. Luta pelo novo, luta desbravando na linha do horizonte oo apogeu de um novo e genuimno alvorecer...





















AMIG@, VISITA-ME NO WWW.JORGEBICHUETTI.BLOGSPOT.COM
SEMPRE ALI ESTAREI... COM TERNURA, JORGE

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ESQUIZOANÁLISE E PRODUÇÃO DE VIDA

                                                                    Jorge Bichuetti

Foucault afirmou que o próximo século seria deleuzeano.
De fato, nem sempre o entendemos: a esquizoanálise se tornaria um pensamento dominante ; ou o mundo se revolucionaria , consubstanciando no seu dia-a-dia o ideário libertário da esquizoanálise.
Neste sentido, a profecia foucaultiana não se cumpriu...
Todavia, nos que existimos mergulhados neste de mundo de exploração, dominação e mistificação, encontramos no pensamento de Foucault um campo de esperança e resistência, sonho e vida nova.
A esquizoanálise nunca se pretendeu molarizar-se e encastelar nos tronos académicos ou políticos, num apogeu de triunfalismo e poder.
Ela se constitui num processo ininterrupto de invenção da invenção.
E se destina, fundamentalmente, a deter - no homem e no socius, o fascismo; ela surgiu para criar uma vida não-fascista.
Assim, brilha e faisca, é uma centelha da aurora, um voo livre nos páramos do infinito, quando delimita seu chão: o direito à diferença. Um chão florido e multicolorido, com canções e poesia, del´rios e magia...
Visa morte do ego...
A institucionalização do ego da subjetividade capitalista é uma normatização de modo de ser e existir marcado:
- pela unidade, totalização e permanência. É estabilidade e inflexibilidade...
- narcisismo - individualismo, egoísmo e egocentrismo.
- repetitivo, tende a cristalizar o mesmo;
- edípico: triangular, possessivo e excludente.
,,, Um ego da falta e castrado, fadado à angústia, e arredio ao novo.
A esquizoanálise nos percebe como movidos pelo excesso, pela produção desejante: singularidade, multiplicidade e devires.
Somos metamorfoseantes ( Orlandi)...
Dai, sua função  é alisar os instituídos e gerar espaços lisos -instuintes onde possam florir o novo, o inusitado.... Onde a impermanência floresça e frutifique nos possibilitando uma individuação que seja  no redemoinho da impermanência a invenção criativa de " uma nova terra, de um povo por-vir".
Para além, do reprimido que volta, ela nos permite bifurcar e explorar novos caminhos e novos eus.
Podemos, assim, já mergulhar no universo esquizoanalítico e ser e existir na magia da liberdade, nos encantos da ternura e na potência da solidariedade.
Uma vida, n revoluções...
N revoluções, por uma vida nova e disruptiva: vontade de potência que afirma nossas posições de desejos no território dos bons encontros sob a égide das paixões alegres.
Deleuzeemos, então, num devir fénix...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Diário 07.01.11

Em meio a tanto afeto que andei perdendo de vocês e de tantas palavras carinhosas, eu venho construindo a Constituição dentro de mim. Agora preciso dela para a libertação para depois começar de novo o processo de desconstrução. Acorda, senta, come, levanta, senta, estuda, levanta, come, senta, estuda, dorme. O corpo limitado de movimentos já engessado está. Ele vem gritando bem no meu meio, entre a barriga e a pubis. O meu corpo só vem aceitando o formato da cadeira, nasceram um para o outro. A mente, também, emburrecida pelas repetições não deixa se dobrar nem um pouquinho para a arte de se imaginar em outra situação, ou de deixar a arte entrar um pouquinho pra dentro de mim. Entro no carro e não quero escutar música, só notícias, o lirismo tá me escapando e eu na expectativa disso ser uma fuga.  A vida está estratificada, mas, tudo passa. Beijos a voces todos. E a propósito: quando é o nosso próximo encontro? Submergiremos? Sim (  )          Não (   )

domingo, 19 de dezembro de 2010

SIM à Vida ou As Pontes que se fazem entre!!



Como se escreve sobre o que não é consciente??


Senti o cheiro verde do colo, a batida do coração saindo do peito
O afago, a entrega, a coragem
Carinhos sem pena
Dedos, pés, costas, cabelos
O fora é tão profundo...


Tremer... "deixa sair, Claudia"... "não segura"...


Bicho com boca que afaga...Fernando...
Criança com olho que toca...Angela...
Nômade com peito que chora..Samara...
Bicho com dedo que vê...Camila..Paulo...
Criança com mãos que riem...Daniel...
Criança com costa que brinca...Simone...
Bicho com braço que fala...Bernardino...


Bichos...crianças...nômades...todas...intensas...
Construindo forças ativas, fortes, libertadas...


"Levanta a cabeça"..."Olha nos meus olhos"... "Agora você tem uma saia"

Ê Ana! Ê Bethânia!
Que importa se tocam de homens e mulheres, de mulheres e mulheres, de homens e homens?
Saudo a coragem de ser quem se é!


Masculino... feminino... homem... mulher... hetero...homo...
Querer feminilidade! Querer masculinidade!



E se alguém duvidar que o tempo não é cronológico, respondo:
Ontem vivi o sábado da comunhão! Imanescência...
Longos e profundos breves minutos de se ser cuidado e se deixar cuidar!
Longos e profundos breves minutos em que se nasce a mesma e outras!



Desejar amar e ser amada pelas crianças-bichos-nômades de Uberaba!
 Abrir mão da covardia!!


 


 

O Poeta Está Vivo - Frejat




Baby, compra o jornal

e vem ver o sol

Ele continua a brilhar,

apesar de tanta barbaridade

Baby escuta o galo cantar,

a aurora de nossos tempos

Não é hora de chorar,

amanheceu o pensamento

O poeta está vivo, com seus moinhos de vento

A impulsionar a grande roda da história

Mas quem tem coragem de ouvir

Amanheceu o pensamento

Que vai mudar o mundo

Com seus moinhos de ventos

Se você não pode ser forte,

seja pelo menos humana

Quando o papa e seu rebanho chegar,

não tenha pena

Todo mundo é parecido, quando sente dor

Mas nu e só ao meio dia, só quem está pronto pro amor

O poeta não morreu,

foi ao inferno e voltou

Conheceu os jardins do Éden

e nos contou

Mas quem tem coragem de ouvir

Amanheceu o pensamento

Que vai mudar o mundo

Com seus moinhos de ventos

Mas quem tem coragem de ouvir

Amanheceu o pensamento

Primavera Nos Dentes - Secos & Molhados




Quem tem consciência pra se ter coragem

Quem tem a força de saber que existe

E no centro da própria engrenagem

Inventa a contra mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado

Quem já perdido nunca desespera

E envolto em tempestade decepado

Entre os dentes segura a primavera


Composição: João Ricardo/João Apolinário